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Blog técnico da JGA

Guias sobre teclado de membrana, painel frontal e reposição — escritos na fábrica, para engenharia, compras e manutenção. Sem enrolação: o que muda o preço, o que quebra na prática e o que a gente precisa saber para produzir a sua peça.

Quem chega aqui costuma estar em uma de três situações: precisa repor o teclado de um equipamento que parou, está desenhando um produto novo e ainda não fechou a interface, ou recebeu um orçamento e quer entender por que o número deu aquilo.

A ordem abaixo serve para as três. Se você já sabe o que precisa, pule direto para o checklist do orçamento — é o que faz a resposta da fábrica sair no mesmo dia.

Comece por aqui

Quatro leituras, nesta ordem, resolvem a maior parte das dúvidas de quem nunca comprou uma membrana.

Identificar o teclado que você precisa repor

Se o equipamento não é projeto seu, você provavelmente não tem desenho nenhum — e não precisa ter. Dá para reproduzir a peça a partir da que está instalada.

Passo a passo, com a peça na mão

  1. Tire a peça antiga com paciência. Ela é colada. Aqueça de leve com secador de cabelo, solte por um canto e puxe devagar. O que não pode é dobrar ou vincar o rabicho — é ali que o circuito quebra.
  2. Fotografe a frente inteira, de cima. Celular paralelo à peça, sem ângulo. Foto torta distorce a proporção e atrapalha na hora de redesenhar.
  3. Fotografe o verso, mostrando o rabicho inteiro e o conector na ponta.
  4. Meça três coisas: largura, altura e o comprimento do rabicho — do corpo do teclado até a ponta do conector.
  5. Conte as vias do conector. São os risquinhos metálicos na ponta do rabicho. Meça também a largura dessa ponta: é o que define o passo entre vias (1,00 mm e 2,54 mm são os mais comuns).
  6. Anote marca, modelo e número de série do equipamento. Em muitos casos a peça daquele modelo já foi fabricada aqui antes, e isso encurta tudo.

Com essas seis informações a fábrica orça sem desenho técnico. Mais sobre reposição ou manda as fotos no WhatsApp.

Sinais de que a membrana está no fim

Nem todo defeito é fim de vida. Estes são os seis sintomas que mais aparecem e o que cada um costuma significar.

Tecla que só responde na força

Precisa apertar firme, ou apertar duas vezes. O contato de prata está gasto ou o domo perdeu o curso. Não tem conserto que compense.

Tecla que gruda pressionada

O domo afundou e não volta, ou o espaçador cedeu. O equipamento passa a receber comando sozinho — troque antes que vire problema de operação.

Bolha ou descolamento no canto

Entrou umidade entre as camadas. Ainda funciona, mas a partir daí a degradação é rápida e o circuito oxida por dentro.

Trinca no filme

Costuma sair do canto de uma tecla ou da borda da janela do display. Vira porta de entrada de pó e líquido, mesmo que a tecla ainda funcione.

Impressão apagando

Se a legenda some com o uso, a arte foi impressa na frente do filme em vez do verso. É defeito de fabricação, não desgaste normal.

Falha ao encostar no rabicho

Funciona intermitente conforme você mexe no cabo. Quase sempre é a dobra do rabicho ou o conector mal assentado — às vezes se resolve sem trocar a peça.

Antes de pedir orçamento

Este é o conteúdo do e-mail que a gente teria que mandar de volta para você se essas informações não vierem. Junte tudo antes e economize uns dois dias de conversa.

O que a fábrica precisa saber

  1. Medidas. Largura e altura do teclado, e quanta espessura sobra no painel do equipamento.
  2. Layout. Quantas teclas, onde ficam e o que está escrito em cada uma. Desenho em vetor (AI, CDR, PDF ou DXF) resolve na hora; na falta dele, a peça antiga serve de referência.
  3. Tipo de toque. Com clique, usando domo metálico, ou suave, com relevo em poliéster. Isso muda a sensação no dedo e o custo.
  4. Ambiente de trabalho. Temperatura, umidade, óleo, produto de limpeza, exposição ao sol. É o que decide material e adesivo.
  5. Aberturas. Se tem janela de display, LED indicador, furo para chave ou área que não pode ser impressa.
  6. Conector. Tipo (ZIF, AMP, Molex), posição de saída, comprimento do rabicho e passo dos pinos. É onde mais aparece surpresa na montagem.
  7. Cores. De preferência com referência RAL ou Pantone. "O azul do equipamento" não fecha cor.
  8. Quantidade. Quanto agora e quanto por ano. A série muda a conta inteira.

Ir para o formulário de orçamento ou mandar as fotos direto no WhatsApp.

Membrana, mecânico ou touchscreen

A comparação que a gente faz na prática, quando o cliente ainda está decidindo a interface do equipamento.

Arraste a tabela para o lado para ver todas as colunas.

CritérioTeclado de membranaTeclado mecânicoTouchscreen
Vedação contra pó e águaFace frontal selada; IP65 é o pedido mais comumFresta em volta de cada teclaBoa no vidro, frágil na moldura
Uso com luvaFunciona com qualquer luvaFuncionaCapacitivo pode falhar com luva grossa ou molhada
Custo por peçaBaixo a médioMédioAlto
Custo de trocaTroca a peça inteira, e é barataTecla a tecla, dá trabalhoTroca o conjunto — o item mais caro dos três
LimpezaSuperfície lisa, pano e álcool resolvemSujeira acumula entre as teclasFácil de limpar, fácil de riscar
Personalização visualTotal: cor, logo, ícone, idiomaLimitada ao que existe prontoTotal, e muda por software
Retorno no dedoClique firme com domo metálicoO melhor dos trêsNenhum, no máximo vibração
Vida útil típicaDa ordem de 1 a 5 milhões de toques por teclaAlta, mas depende de cada teclaDepende do vidro e do controlador

Valores típicos de projeto, não garantia — o número real muda com material, tipo de domo e como o equipamento é usado.

Poliéster ou policarbonato?

É a segunda dúvida mais comum, e a resposta curta cabe em uma linha: se tem tecla, poliéster; se é só visual, policarbonato.

Poliéster (PET)

Aguenta flexão repetida sem trincar, resiste melhor a álcool e produto de limpeza, e a textura fosca disfarça risco. É a escolha para qualquer área que vai ser pressionada o tempo todo. Custa mais.

Policarbonato (PC)

Mais rígido, mais brilhante e mais barato. Ótimo para painel, moldura e janela de display. Sob toque constante e sol direto, marca e amarela antes do poliéster.

Como a peça é feita, etapa por etapa

Vale conhecer o processo: entender onde cada etapa entra explica boa parte do prazo e do preço que você recebe na proposta.

  1. Arte e desenho. Seu layout é vetorizado e cotado — posição de tecla, furo, janela e área de colagem. É aqui que erro de milímetro é barato de corrigir; depois, não é.
  2. Impressão do overlay. Serigrafia no verso do filme, uma cor de cada vez, com secagem entre elas. Imprimir no verso é o que faz a arte não sair com o atrito do dedo.
  3. Relevo, quando pedido. O embossing das teclas é feito por matriz aquecida, que molda o próprio filme.
  4. Circuito. As trilhas são impressas com tinta condutiva de prata sobre filme PET — mesmo princípio de serigrafia, outra tinta.
  5. Montagem das camadas. Espaçador, domos e adesivo entram um sobre o outro em registro. Desalinhamento aqui vira tecla dura ou tecla que não fecha.
  6. Corte. Laser ou faca, conforme o contorno e a quantidade. Contorno complicado em série curta pede laser; série longa compensa faca.
  7. Teste. Continuidade tecla a tecla antes de embalar. Nenhuma peça sai sem passar por isso.

Limpeza e conservação

Metade dos teclados que chegam aqui para troca precoce morreu de limpeza errada, não de uso.

Pode

Pano macio levemente úmido com água e sabão neutro, ou álcool isopropílico. Passe de um lado ao outro, sem esfregar em círculo sobre a legenda, e seque em seguida.

Não pode

Acetona, thinner, removedor e solvente forte — comem a impressão e o filme. Também não use esponja abrasiva, espátula, nem jato de água direto na traseira e nas bordas.

Um aviso que vale dinheiro: não tape trinca com fita ou adesivo comum. A cola migra por baixo do filme, mancha por dentro e transforma uma troca simples em uma peça que não dá nem para copiar direito. Mais sobre manutenção preventiva.

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Cinco erros que custam caro

Não são erros teóricos: é o que mais volta para a fábrica como retrabalho.

  1. Mandar só a foto do teclado antigo. Foto não dá medida. Sem o desenho em vetor ou a peça física na mão, posição de furo e distância entre teclas viram estimativa — e estimativa erra por milímetros que impedem a montagem.
  2. Deixar o ambiente para depois. Óleo de corte, álcool 70, vapor e sol direto mudam a escolha do filme e do adesivo. Contar isso depois da arte aprovada costuma significar refazer.
  3. Copiar o layout e esquecer o conector. Dá para acertar o desenho inteiro e ainda assim a peça não encaixar, porque o rabicho ficou curto ou o passo dos pinos é outro. Confira o conector junto com o layout, nunca depois.
  4. Pedir uma peça pensando em quinhentas. Ferramental e setup se diluem na quantidade. Se a série vem aí, diga desde o começo — a decisão de material e de processo pode ser outra, mais barata no total.
  5. Aprovar arte sem ver amostra. Cor de tela não é cor impressa, e o toque do domo só se avalia com o dedo. Em produto novo, amostra antes da série é o gasto mais barato do projeto.

Glossário rápido

Os termos que aparecem em desenho técnico e proposta comercial, em português claro.

Overlay
A camada gráfica da frente, aquela que o operador toca. A arte é impressa no verso do filme, justamente para não sair com o atrito e a limpeza.
Poliéster (PET)
Filme que aguenta muito bem flexão repetida. É a escolha padrão quando a tecla vai ser pressionada milhões de vezes.
Policarbonato
Mais rígido e mais barato, ótimo para painéis e janelas. Sob toque constante, marca antes do poliéster.
Domo metálico
Pequeno disco de aço inox que estala ao ser pressionado. É ele que dá o clique e o retorno no dedo.
Domo em poliéster
Relevo feito no próprio filme, sem peça metálica. Toque mais macio, sem clique — e normalmente mais barato.
Espaçador (spacer)
Camada adesiva furada no lugar de cada tecla. É o que mantém os contatos separados até você apertar.
Circuito de prata
Trilhas impressas com tinta condutiva de prata sobre filme. São elas que fecham o contato e mandam o sinal para a placa.
Rabicho (tail)
A tira flexível que sai do teclado e vai até a placa do equipamento. Comprimento e saída erradas são causa clássica de peça que não monta.
Conector ZIF
Conector de inserção sem esforço, em que o rabicho entra direto no soquete, sem solda. Muito comum em equipamento compacto.
Grau IP
Índice de proteção contra pó e água. Em chão de fábrica, IP65 na face frontal é o pedido mais frequente.
MOQ
Quantidade mínima de produção. Existe porque ferramental e acerto de máquina custam o mesmo para 1 ou para 100 peças.
Vida útil em ciclos
Quantas vezes uma tecla pode ser pressionada antes de falhar. O número vale por tecla, não pelo teclado inteiro.

Ficou com dúvida no seu caso?

Manda uma foto do teclado ou o desenho do painel. A gente olha e responde se dá para fabricar, em quanto tempo e por quanto — sem compromisso.